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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Vocação: história do encontro com Cristo



Estamos vivendo o Mês Vocacional, quando somos convidados a refletir sobre nossa vocação e nosso compromisso com a Igreja e a sociedade. Para muitos, vocação significa inclinação, tendência, talento, qualidade inata que conduz uma pessoa para uma determinada profissão ou um determinado trabalho. Essa compreensão não ajuda muito na autêntica compreensão da vocação como ela é na dimensão religiosa. É necessário, pois, compreender a palavra vocação com maior precisão, quando se refere à dimensão religiosa.

Vocação no sentido mais preciso, como fenômeno da dimensão religiosa, não é inclinação, nem tendência, nem talento, nem propriamente dom para uma profissão. É, em primeiro lugar,decidida e simplesmente, um chamamento vindo diretamente para nós, endereçada a nós a partir de Jesus Cristo, que nos convoca para o discipulado do seguimento. Significa, portanto, que anterior a nós há um chamado, uma escolha pessoal que vem do Deus de Jesus Cristo, a quem seguimos no total empenho de discípulo. Portanto vocação é um chamado que vem do alto. Quem puder entender entenda, quem tem ouvidos ouça!

Às vezes perguntamos: Para que serve a vocação religiosa? Em sintonia com o nosso tempo, pergunta-se pela utilidade da vocação. É a primeira pergunta e também a mais superficial. Não é difícil achar “utilidades” para a vocação religiosa! Diz-se que ela não tem sentido em si, só tem sentido se favorece o engajamento em trabalhos pastorais e sociais ou se ela for suporte da vida pastoral-social como um “abastecer-se para” ou se conduzir para a união íntima com Deus. A vocação, porém, não “serve” para nada. Ela tem sentido em si, a partir de si. Ela é a história do nosso encontro com Jesus Cristo, história que nós próprios somos. É a história da presença de Jesus Cristo em nós.

Outras vezes perguntamos: Será que tenho vocação? Quem me garante que tenho vocação? Quem me garante que Deus me escolheu? Buscamos alguma certeza para nos tranquilizar. Essas perguntas surgem porque se infiltrou na dimensão da fé uma maneira de pensar em que a experiência do anterior não é importante e deixou de ser uma evidência. Para outras experiências humanas de fundo não precisamos fazer toda essa “pesquisa”, elas já são uma evidência. Quem tem um bom relacionamento com os pais não precisa averiguar se os pais o amam... 

Vocação é a experiência de uma realidade anterior a nós, que não precisa ser averiguada. Se estamos perguntando é porque Alguém nos amou primeiro e nos chamou. Portanto não somos nós que temos vocação, é a vocação que nos tem!

Perguntamos ainda: Por que somos vocacionados? O que provocou nossa atual situação de sermos vocacionados? Vocação nesse sentido é o destino atual da nossa vida. Perguntamos, portanto, pela causa que determinou o atual estado da nossa vida. Na busca pelo motivo, surgem diversas respostas que nos deixam atrapalhados: o motivo foram nossos pais, nosso vigário, um missionário, um professor, a influência de um amigo, a ambição de nos promover, uma crise religiosa, uma visita ao seminário, o fato de termos nascido numa família tradicionalmente cristã, a leitura da biografia de um santo, o desejo de usar vestes litúrgicas tão estranhas aos nossos olhos de criança... Muitas vezes esses motivos são tão banais e acidentais que nem sequer deles nos recordamos. Buscar a causa da nossa vocação não tem sentido, pois essa busca é a tentativa de assegurar a própria situação a partir dela e não a partir da gratuidade do envio de Deus.

A vocação é uma evidência vital que aos poucos e sempre mais vai tomando conta da nossa vida como dom de Deus, que ama primeiro, e como conquista de nosso empenho de discípulos. É dom de Deus porque na existência cristã tudo, desde o início, é a história da aventura do encontro com Deus, na urgência de, em cada passo da caminhada, ter que conquistar o significado da nossa vida. Vocação é uma estrutura processual, na qual cada passo nasce do outro numa implicação de progressão que não é simplesmente evolução, mas a constituição, a criação do rumo da vida como uma “experiência originária”. 

A vocação é uma disposição que, conduzida por Deus, torna a vida “com-vocada”. É conquista do discípulo porque tudo o que acontece, os fatos mais banais podem ser a clareira que “e-voca”, ecoa a vocação vinda de Deus. Evocação que jamais é “certeza” do saber de dominação, mas que dá a disposição de ausculta, de acolhida, o ouvido atento que percebe o sentido concrescente da provocação de Deus. Por isso aquele que responde a esse chamado toma muito a sério sua situação concreta de ser um “vocacionado”.

Por: Dom Fernando Mason 
Bispo Diocesano de Piracicaba

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Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Ó coração Imaculado de Maria, repleto de bondade, mostrai-nos o vosso amor. A chama do vosso Coração, ó Maria, desça sobre todos os homens! Nós vos amamos infinitamente! Imprimi no nosso coração o verdadeiro amor, para que sintamos o desejo de Vos buscar incessantemente. Ó Maria, vós que tendes um Coração suave e humilde, lembrai-vos de nós quando cairmos no pecado. Vós sabeis que todos os homens pecam. Concedei que, por meio do vosso materno e Imaculado Coração, sejam curados de toda doença espiritual. Fazei que possamos sempre contemplar a bondade do vosso materno Coração e convertamo-nos por meio da chama do vosso Coração. Amém.